Em quarentena: um mundo aonde todos são BBB!

A vida em pandemia. De manhã eu fui um pouco além da saudável na preocupação com o tal corona vírus. Li tudo que recebi. Fiquei com medo ate do meu óculos! E o mais grave, o que realmente me preocupou: ontem chamei um motoboy, pessoa de alto risco, um dos poucos que tem contato continuo com todos os quarentenados. E o pior: será que quando voltei daquele contato imediato com o motoboy eu lavei as mãos? Ò duvida cruel!


Eu não posso me contarminar, mas não e por mim, e por mamãe que é idosa. Juro que me preocupo mesmo com ela. Não posso, não posso, não vou permitir! Jamais vou pegar esse corona!! Sou invencível! Vamos amigos! Unidos venceremos a corrente do mal!!


Esse momento de nóia me deixou meio tenso e o resultado foi surtar com a tal mamãe idosa. Como pode? Ela querendo discutir aqueles problemas da vida anterior, daquela época que vivíamos ate semana passada , daquela era pre- pandemia. Ela preocupada com bobagens fúteis enquanto o mundo esta acabando? A economia vai quebrar, você tem que se precaver, seu convenio já esta com os leitos lotados, a vida esta uma merda, o vida o azar. O surto com mamãe passou e me senti muito culpado. Eu definitivamente não contribuí para elevar a vibração de mamãe, algo importante para ela fortalecer seu sistema imunológico. Preciso ler menos? Mas tenho que saber as informações? Todas. Todas. Piscina pega? Cachorro pega? como higienizar meu celular?


A tarde tive que ir ao banco. Sair de casa. Pela janela do prédio vejo a vida semi vazia. Eu também quero evitar, sempre que der. Queria fazer digital, mas era uma conta antiga, que eu não tenho a senha. Nunca fui muito organizado.Sera que sera esse o erro que me condenara ao corona vírus? Sera minha falha trágica?


A aventura de sair a rua começou tranquila. Nenhum contato imediato, todos se respeitando, mantendo distancias. Poucas mascaras, elas já acabaram. Estou ate pensando em fazer mascaras caseiras, mas ainda e cedo para desespero. Calma. Amanha eu faco. Por via das duvidas eu toquei o botão do elevador com o dedinho da mão esquerda. Esse eu não uso para cocar os olhos.


A chegada ao banco foi mais tensa. Estou entrando em ambiente fechado, risco maior. Só pode entrar 3 clientes de cada vez. Um homem nervoso e com nítidos sinais de TOC nervoso, gerencia a entrada. A faxineira de luvas conversa com alguém e garante que tem passado álcool nos teclados do caixa eletrônico. Eu pergunto fingindo bom humor: você passa álcool todas as vezes que alguém toca? Ela diz que todas as vezes seria impossível. Admito que fiquei meio preocupado. Mas vamos lá. E só tocar o teclado e lembrar de não cocar os olhos. Vou conseguir.


O procedimento era um pouco complexo e eu sou ruim de aplicativos. Pedi ajuda ao homem nervoso. Ela não quis se aproximar, fingiu que precisava ver algo dentro do banco e meteu o pé. Fiquei sozinho; eu e o teclado suspeito de ser um portador do corona vírus! Respirei fundo e sorri. Pensei no homem nervoso. Para ele esta pior. Com TOC e trabalhando na recepção. Não esta fácil para ninguém. E assim que acalmei. Transcendi o TOC e toquei no teclado suspeito com a vitalidade de um jovem que transa sem camisinha. Foi ótimo. Consegui transferir a grana para uma conta que tenho acesso digital. Saí feliz e mais tranquilo. Só me enrolei um pouco para puxar as maçanetas da porta de saída com o dedinho da mão esquerda. Mas de resto, foi ótimo.


Conclui que preciso estabelecer um cotidiano de quarentena. |Atividades para não pensar nisso. Somos todos big brother, estamos todos confinados. Preciso refazer todo meu cotidiano. A pandemia, quem sabe, seja um caminho de cura. De cura social, me mexer menos, aprender a curtir a vida mais em casa.. Quem sabe isso ajuda a superar a ansiedade, ajuda ate a ser mais ecológico. Quem sabe. Sei la. Melhor ter alguma esperança pois tudo indica que o sofrimento social dos próximos dias vai ser grande. Quem sabe. O que sei mesmo e que esse cotidiano ira começar com um boa novena. Cada um reze como puder. E ouça música. É o que salva!

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